Bruno Omori: São Paulo sempre tem uma região experimentando crescimento

REDAÇÃO DO DH

O presidente da Associação Brasileira  Indústria de Hotéis – ABIH – SP, Bruno Omori, nessa entrevista exclusiva ao DIÁRIO, comemora retomada nos níveis de ocupação da hotelaria paulista, exalta diversidade dos atrativos regionais, a ampla oferta de hotéis no Estado, destaca aproximação com trade e governo e considera vital alinhar posição para preservar o negócio hotel

DIÁRIO – Acredita que ainda existam atrativos naturais que influenciam nos índices de ocupação do Estado? Além dos atrativos naturais, quais os locais que mais cativam os visitantes?

Bruno OmoriO Estado de São Paulo, com 645 municípios, tem uma oferta variada com 70 estâncias turísticas, em breve 140 municípios de interesse turístico e ainda conta com 18 das 20 melhores rodovias do Brasil.
E é o maior emissor e receptor de turistas do Brasil. Disponibiliza todos os tipos de atrativos turísticos: de praias a montanhas, cavernas e metrópoles urbanas. Está  consolidado nos diferentes segmentos do turismo, do rural passando pelo de aventura, cultural, histórico, gastronômico, de saúde, esportivo, acadêmico, de compras, tecnológico, religioso, de negócios, de MICE, industrial, hidrominerais, climático, sol e praia.

DIÁRIO –São Paulo é conhecida como a cidade de pedra e também como destino imbatível para o turismo corporativo. Há, na sua opinião, pontos que fazem com que o visitante eleja essa capital como opção igualmente em suas viagens de lazer?

Bruno OmoriA cidade de São Paulo deve ser considerada como Capital da América Latina de Cultura, Entretenimento, Compras e Gastronomia: com maiores e melhores museus do Brasil como o MASP, Museu do Futebol, Pinacoteca, Catavento, Imigração, Japan House entre os outros 158 museus. Disponibiliza ao visitante mais de 100 espetáculos e shows por semana, inclusive com alguns no nível da Broadway encontrados na capital paulista, Nova York e Londres. Ao todo o circuito gastronômico paulistano soma mais de 20 mil restaurantes com 52 tipos de culinárias diferentes, só o segmento pizzaria totaliza 4,5 mil estabelecimentos e a cidade oferece 600 sushi bar. E vai além: 11 estádios de futebol, 150 bibliotecas, 109 parques e áreas de lazer,  mais de 50 spas, melhores hospitais do Brasil, 1900 agências bancárias, 53 shoppings centers, ruas de comércio de alto luxo como a Oscar Freire e mais no gênero popular como a 25 de março. Entre as curiosidades que a metrópole reserva, tem a segunda maior frota de helicópteros do mundo, além de possuir 42 mil unidades habitacionais na hotelaria. Ou seja é a NY da América do Sul, como o prefeito Doria diz “Cidade Linda” o SPCVB “São Paulo é Tudo de Bom” e como afirmamos sempre “São Paulo cidade do mundo”

DIÁRIO – Quais são os índices de ocupação, visitantes e turistas neste primeiro semestre no Estado, comparativamente com o mesmo período de 2016? Quantos hotéis têm no estado e quantos leitos? Há novos investimentos? Poderia citar os mais relevantes (chegada de redes internacionais) timeshare etc?

Bruno Omori – Tivemos um crescimento constante de 2010 a 2014, com quedas significativas em 2015 e 2016, e pequena retomada em 2017 próxima aos patamares de ocupação de 2010 (conforme demonstrado na tabela abaixo)

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FONTE: ABIH-SP

São Paulo possui a maior e melhor oferta de meios de hospedagem do Brasil, a maioria absoluta da sede das grandes redes tem base aqui, além de grandes hotéis/resorts independentes de altíssima qualidade. Se for feito um corte do IBGE deixando somente os (Hotéis, Flats, Condohotéis, Resorts e Pousadas) temos aproximadamente 183.000 uhs, e a ABIH-SP, nos seus estudos, levantou um faturamento em diárias de  R$ 7,4 bilhões, em 2016 e R$ 1,5 bilhão em A&B foram gerados na hotelaria paulista.

DIÁRIO – Que categoria e/ou nicho de hotel tem se destacado entre os empreendimentos paulistas? E quais os motivos?

Bruno OmoriNo Estado de SP, pela diversidade que expusemos anteriormente, temos pólos de desenvolvimento hoteleiros em todas as regiões do Estado. Para melhor entendimento dividimos a oferta em 4 tipos relacionados à localização: Capital , Litoral, Interior de Lazer e Interior de Negócios, pois mesmo diante de diferentes localidades elas apresentam características similares de demandas técnicas, dos hóspedes de lazer e do corporativo. Portanto sempre temos uma região experimentando crescimento, por criação de novos produtos turísticos, implantação de pólos de negócios ou logística, ou mesmo formatações de planos diretores turísticos seccionais ou regionais em SP.

DIÁRIO – A dianteira de SP em relação aos outros estados diferencia, em que medida, o relacionamento com os fornecedores e com as diversas esferas de governo?

Bruno OmoriA ABIH-SP tem como um dos pilares da gestão a criação e parceria de sinergia estratégica com entidades da hotelaria como o FOHB e ABR. No trade turístico aproximação com SPCVB, APRECESP, UBRAFE, ABEOC, ABRASEL, FBHA, SINDEPAT, SINDLOC, UNEDESTINOS entre outras e com a academia (Mackenzie, FVG, Hotec, Senac, Anhembi, FMU, PUC, USP), somando posições com o Governo no  executivo, legislativo e judiciário. Estamos na 6ª edição do SEHGA (Sinergia Estratégica entre Hotelaria, Governo e Academia para desenvolver o turismo no Estado de SP). A entidade mantém Comitês de Sustentabilidade, Acessibilidade e Inclusão Social e Segurança, além de mais de 12 comissões temáticas como de fornecedores, jurídico, contábil, marketing e outros estratégicos.

“A parceria de sinergia com entidades da hotelaria auxilia na gestão da entidade”

Participamos das principais discussões da hotelaria nacional e internacional como Ecad, Economia Colaborativa, Lei Geral do Turismo, Frente Parlamentar de Turismo da Camara Mista do Congresso Nacionail de Defesa ao Turismo, Frente de Turismo da ALESP, evento e projetos de Promoção Internacional, Feiras e Congresso Internacionais e OMT.

DIÁRIO – Bruno, em uma reunião da ABIH em São Paulo, discutiu-se muito a questão da hospedagem compartilhada.

Bruno OmoriO turismo, sem dúvida, é a atividade econômica com maior potencial de gerar empregos e renda no Planeta, cria experiências únicas, relações interpessoais, transmite cultura, difunde conceitos e ao mesmo tempo seus maiores canais de distribuição estão ligados a tecnologias online. Ferramentas tecnológicas são expandidas exponencialmente, mundialmente e momentaneamente, os consumidores utilizam, compartilham e experimentam novas experiências todos os dias, mas na grande maioria das vezes nem as empresas, entidades e o governo conseguem acompanhar, em tempo real, o dinamismo dessas mudanças drásticas de paradigmas de consumo. A tempo de atualizarem seus procedimentos de atendimento, treinamento de colaboradores e principalmente a regulamentação de Leis e Impostos que são a realidade de todos os segmentos formais. Portanto é necessário que todas as atividades ligadas às novas tecnologias SEJAM REGULAMENTADAS. Enfim, estar de acordo com a legislação de segurança do empreendimento e dos viajantes, respeitar a lei do consumidor, recolher os impostos devidos, entre outros fatores que regulam formalmente a macro e microeconomia de um País.

DIÁRIO – Qual o reflexo dessa modalidade de hospedagem?

Bruno OmoriQuando uma atividade como a Economia Colaborativa não tem regulamentação, como ocorre com o AIRBNB, acarreta diversas demandas negativas para a sociedade e economia, como:Turismo Sexual com crianças e adolescentes, pois se não existe controle de check-in com análise dos documentos e das pessoas, não existem ferramentas que impedem esta pratica. Também reflete na queda da arrecadação de impostos pois esse modelo de hospedagem não recolhe tributos. No hotel, de cada R$ 100 em diária são gerados mais de R$ 18 em impostos diretos, ou seja se vender R$ 10 bilhões na economia colaborativa o governo está deixando de arrecadar R$ 1,8 bilhões em impostos diretos. Outro impacto na economia é a queda no emprego e renda, com a redução de hóspedes na hotelaria formal. Enquanto uma rede internacional emprega 180 mil pessoas, uma empresa da economia colaborativa contrata menos de 600 pessoas no mundo todo, com oferta de apartamentos superior ao da rede hoteleira. E sem falar no aumento do custo de aluguel para os moradores da cidade, reflexo da busca por moradias que sirvam a esse segmento.

DIÁRIO – E que outros aspectos podem ser relacionados quando se aborda o tema?

Bruno Omori – O aspecto da segurança – para o condomínio e a população e de outra parte para o turista – em um apartamento ou casa residencial não há detector de fumaça, brigada de incêndio, seguro de responsabilidade, não há rota de fuga e escada de segurança como nos meios de hospedagem formais.

“Concorrência desleal da hospedagem compartilhada: um hotel de 100 Uhs tem pelo menos 30 funcionários registrados cujo custo é de quase 100% do valor do salário, além de impostos, custo de energia, IR e outros.”

 DIÁRIO – Quais as providências em São Paulo?

Bruno OmoriUm trabalho em sinergia com as entidades representativas da Hotelaria, com a Prefeitura da cidade de São Paulo e a Câmara Municipal, contando com o apoio do trade turístico. A partir daí criar um projeto consistente de Regulamentação da Economia Colaborativa na Hotelaria da Cidade de São Paulo, servindo como base para todas as outras cidades do Brasil. Foram realizadas reuniões com a SMRI, SPTURIS, COMTUR e Câmara Municipal, onde foram apresentadas as razões fiscais, de arrecadação de impostos, de segurança, de moradia, de mercado turístico, de emprego e renda da necessidade de regulamentação. A previsão é São Paulo ter esta regulamentação no final de 2017 ou início de 2018.

DIÁRIO – Dá para arriscar que o setor hoteleiro tem feito a lição de casa no bem-receber de um modo geral? Como, por exemplo, capacitação de mão-de-obra, maior leque de serviços, novas tecnologias?

Bruno OmoriO setor tem participado de Congressos, Feiras, Reuniões, tem acesso a todas as mídias impressas, televisivas e eletrônicas, promovidas pelas entidades, mercado e parceiros. Assim reúne todas as condições de se inteirar e se manter conectado às principais evoluções de tecnologia, gestão hoteleira, capacitação e demais tendências nacionais e internacionais. Basta manter uma visão associativista e de mercado para poder conduzir seu empreendimento rumo ao futuro e crescimento constante.

DIÁRIO – Institucionalmente, o que a ABIH-SP tem planejado em ações para os associados e também no sentido de novas parcerias com o trade do turismo?

Bruno OmoriA visão e missão da ABIH-SP estão voltadas para a criação da maior sinergia estratégica possível para o crescimento e desenvolvimento do mercado hoteleiro e do turismo de SP e do Brasil. Para tanto busca agilidade e flexibilidade nas ações, parcerias e projetos com foco em alto desempenho e resultados expressivos de visibilidade, política e rentabilidade. Serão diversos os projetos em parceria com fornecedores, imprensa, governo e trade turístico. Entre eles o SEHGA 2017 , O Livro dos 70 anos programado para 2019, Selo de Acessibilidade e Inclusão Social versão 2017, lançamento da  OTA www.bymixhotel.com.br da hotelaria paulista e brasileira, parcerias estratégicas para redução de custos e aumento de rentabilidade com o hotéis ligados a sustentabilidade, entre outras iniciativas.

(Cecília Cardial)

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